Seu Filho Autista Não Come? Entenda por que Isso Não é Birra e Descubra 5 Passos para Ajudar
Lidar com a hora das refeições pode ser um dos momentos mais desafiadores para famílias de pessoas no Espectro Autista. Se o seu filho costuma recusar determinados pratos ou aceita apenas um grupo muito restrito de alimentos, saiba que essa realidade é extremamente comum e não tem relação com falta de limites ou "frescura".
Pesquisas recentes indicam que entre 23% e 69% das crianças autistas apresentam seletividade alimentar de forma significativa. Para ajudar mães, pais e cuidadores a lidarem com esse cenário de maneira empática e prática, a organização Autistas Brasil lançou o guia gratuito "Meu filho não come — Entendendo a seletividade alimentar no autismo".
Por que a seletividade alimentar acontece no TEA?
Ao contrário do que muitos imaginam, a recusa alimentar no autismo geralmente está ligada a questões sensoriais e orgânicas. O alimento não é percebido apenas pelo sabor, mas por um conjunto de estímulos que podem causar desconforto ou até hipersensibilidade na criança:
- Texturas e consistências: alimentos muito moles, crocantíssimos ou pastosos podem gerar repulsa;
- Aspectos visuais e cheiros: cores fortes, misturas de ingredientes no mesmo prato ou aromas intensos;
- Temperatura: sensibilidade a pratos muito quentes ou frios;
- Fatores gastrointestinais: dificuldades de mastigação, deglutição, refluxo ou alterações no ritmo de saciedade.
Segundo os idealizadores do material, o objetivo principal do guia não é substituir o acompanhamento nutricional ou médico, mas sim desmistificar o assunto, reduzindo a ansiedade e a sobrecarga emocional das famílias.
5 Estratégias práticas para transformar a hora de comer
O guia traz 20 orientações focadas no respeito ao tempo e à individualidade da criança. Destacam-se as seguintes dicas essenciais:
- Crie um ambiente calmo: Diminua estímulos sonoros ou visuais excessivos durante as refeições para evitar a sobrecarga sensorial.
- Mantenha uma rotina: Estabeleça horários previsíveis para as refeições, trazendo mais segurança para a criança.
- Aposte em utensílios adequados: Utilizar pratos com divisórias pode ajudar bastante quando a criança não gosta que os alimentos se encostem.
- Tenha sempre um "alimento de segurança": Garanta que haja no prato pelo menos um item que a criança já conheça, aceite e goste.
- Incentive a exploração sem pressão: Permita que a criança veja, cheire ou toque no alimento sem a obrigação imediata de engolir. Deixe que ela interaja com a comida no próprio ritmo.
Além disso, o material alerta para a importância de observar sinais de condições como o ARFID (Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo), que requer acompanhamento especializado para evitar deficiências nutricionais.
Nota de transparência / Fonte: Informações baseadas no guia oficial lançado pela instituição Autistas Brasil e em reportagem publicada pelo portal VEJA Saúde.

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